Um Blog de percepções, de afetos e algumas bobagens cotidianas.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

As sutis violências do dia-a-dia

Andando de carro na Ipiranga, ouvindo meu som em alto volume, querendo conhecer melhor o novo disco do Camelo, Sou. Eu distraída, tentando entrar na letra, na melodia, acostumar o ouvido.
Paro no verde. Repito a faixa da Mallu cantando em português. Abre o sinal. Eu, um segundo atrasada enfiada na canção, não arranco. Tomo um buzinasso. Quebrou o clima. E me senti agredida.

Passeando no shopping atrás de presentes de natal – não que esse seja meu programa favorito, pelo contrario – me misturo na multidão. Atenta aos rostos de pessoas desconhecidas, olhando vitrines que concorrem com luzes, cores, brilhos e purpurinas, entro no clima natalino. Uma imensa arvore e muitas crianças em volta com aqueles rostinhos rosados cheios de sorriso me fazem esquecer a loucura ensandecida capitalista.
Na minha frente, um grupo de executivos bobos riem feito hienas de qualquer coisa (futebol, mulher ou pegadinha) e quase atropelam a moça da limpeza, que consegue se adiantar uns dez metros deles e deixa um aviso amarelo no chão que diz "piso escorregadio". Distraído, um dos executivos bobos-rindo-feito-hiena atropela o aviso. Eu e as pessoas ao meu redor ouvimos o barulho da estrutura de plástico amarela caindo no chão. Ele também ouviu e viu – lógico – o objeto nocauteando no piso brilhante do shopping. Mas seguiu em frente, como se nada tivesse acontecido, rindo feito uma hiena, mesmo que eu e alguns passantes gritássemos - mal educado, tu não vai juntar...e saio do shopping violentada.

Procurando vaga para o meu carro em frente ao Museu do Trabalho, feliz que ia ver todos os meus amigos na abertura de uma exposição, encontro a sobrevivente, bem perto da entrada – coisa rara nos dias de hoje, ainda mais quando não vem acompanhada de um flanelinha – bingo. Eu sorrio aliviada, posiciono o celtinha e pisco para entrar. Quando olho pelo retrovisor, eis que um mau-educado-contemporâneo enfia seu carro rapidamente dentro da vaga, ignorando meu pisca, ignorando a minha existência na terra. Mas ah não, assim já e demais. Cansei de ser agredida, resolvo me vingar de todos os desgraçados que me fizeram passar por situações desagradáveis, reúno todas as magoas e mais outras tantas, enfio a mao com vontade na buzina. Mas enfio a mao na buzina como quem enfia o pe na jaca. E ela sai, muito, muito alta e continua.
Imediatamente o idiota se retira, reconhecendo sua posição de idiota.

E eu me sinto a Zorra do dia.

2 comentários:

Lua disse...

Huhauahuahuhaua!

Que saudade que deu dessa minha amiga!

Essas violenciazinhas do dia -a-dia são um saco. Melhor botar pra fora em tempo do que deixar pra amanhã..

beso beso

celsotrio disse...

olha só. tu viu que escutar camelo, fazer compras no natal e dirigir em poa, são coisas que podem dar indisposição na pessoa?