Um Blog de percepções, de afetos e algumas bobagens cotidianas.

domingo, 8 de março de 2009

fantástica e invencível

Hoje é dia da mulher e eu ainda implico com dias especiais para pessoas especiais, isso acaba tratando o "especial" como "diferente", o que se aproximaria muito de certo preconceito, o que me incomoda.
Mas é tanta atenção para o tal dia da mulher que eu não pude deixar de parar pra pensar sobre o que é ser mulher hoje. Pensei em mim e na mulher em que me tornei. Lembrei então da mulher mais linda que eu já conheci, que com certeza tem enorme influência no que sou e que se afastava muito do ideal da mulher atual, mas mesmo assim conquistava o meu amor, o maior amor que tive, incondicional e eterno. Minha avó Alda. Um anjo que pousou aqui na terra pra segurar minha mão e me dar muito bolo de chocolate e coragem pra enfrentar a vida de frente. 
É muito difícil escrever sobre a minha avó, pois quando penso nela não consigo conter as lágrimas e isso geralmente acontece quando penso em pessoas que me amam ou me amaram muito. Parece que eu vejo ela do meu lado, propondo brincadeiras malucas que eu adorava: vamos brincar de manicure? E me oferecia os pés e as mãos corajosamente, depois que preparavamos juntas o potinho com água quente, uma coleção de esmaltes, toalhinha, lixa e tudo o que uma boa manicure deve ter para fazer um trabalho profissional! - não que eu fosse das melhores, hoje penso que minha vó era muito corajosa!
Vó Alda me deixava experimentar todas as roupas que ela tinha no armário, me deixava ajudar em todas as receitas e inclusive beliscar enquanto fazíamos (eu amava massa de bolo crua!), me ensinou a botar a mesa, a fazer tricot, a lavar a louça e a cozinha - adoro faxinar, mania de limpeza eu herdei da Aldinha!
E eu gostava de ver ela bem arrumada, embora saísse muito pouco, quando isso acontecia eu fazia questão de opinar e ajudar na produção. Vó, bota batom vermelho, vó, bota um sapato de salto, vestido, pulseira, anel...ela não era muito chegada, mas pra me ver de olho brilhando ela fazia tudo.
E nos divertíamos. Foi minha mãe vezes dois, minha amiga, minha professora da vida. Quando saíamos de férias, eu, meu pai e minha mãe, eu sentia uma saudade dolorida, na época não tinha celular, então eu ia ligar sempre do orelhão pra dizer pra vó que tinha ido pro mar, que ele tava quentinho como ela gostava, que não tinha sapo na casa - ela tinha horror dos anfíbios - e que eu voltaria logo pra gente jogar ludo.
Eu prefiro parar por aqui nas lembranças da vida, isso para lembrar do que ficou e de como é bom ser mulher e poder cultivar amores. Ser forte e feminina, cuidar e ser cuidada. Ser fantástica e invencível. Mas acima de tudo, ser eterna. Como minha vó.

Onde tu estiveres, vó, saiba que eu te amo.
Vou escanear uma foto nossa e postar aqui.
 

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