Um Blog de percepções, de afetos e algumas bobagens cotidianas.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

um filme em fast foreward eu e minhas roupas

a janela onde a gente espia nem sempre é a janela que a gente abre. voltei no armário e não tinha nada mais, minhas roupas já estavam todas desparceiradas e fiquei sem ter o que vestir. eu até teria o que vestir, mas sinceramente não ia me sentir confortável com panos que não mais me pertencem. um filme de todas as roupas que eu tive passou na minha cabeça, um filme não, um trailer porque foi muito rápido, um filme em fast foreward, mas, sim, eu sabia o que estava faltando ali e sabia o que eu queria vestir. mas o que eu queria vestir realmente não estava lá. estou numa fase que não gosto de comprar roupas novas, prefiro reinventar as que eu já tenho. ando com pânico de perder minhas roupas atuais porque tenho por elas um especial apreço, um sentimento que fica entre o amor e a posse, já que cada uma delas guarda em si intermináveis momentos e cheiros e inclusive pigmentos que foram colecionados involuntariamente. cada roupa tem o seu dna, talvez por isso minha mãe deteste que eu compre coisas em brechós.
mas quando eu vou até um brechó não sou eu que escolho as roupas. são elas que me escolhem. é como se uma energia encontrasse com a outra e aí tudo certo, nos achamos. quase predestinados eu e minha peça de roupa, levo ela pra casa como se tivesse saído da loja mais trés chic créme-de-la-créme. lavo, cuido e por vezes dou a minha reformadinha para que ela me compreenda melhor, afinal em todo o relacionamento existe uma fase de adaptação. mas depois que veste direitinho, a gente não quer mais tirar.

Um comentário:

Raquel disse...

Perfeitaaa descrição do relacionamento....me li no teu tx! ; )